terça-feira, 24 de abril de 2012

Escatologia




As nuvens se formaram repentinamente em forma de Zeus, ou de Deus, ou de quaisquer fenômenos escatológicos...e começaram a soprar, a ventar, a destruir todas as paisagens de cimento de colorido quase acinzentado, formando um caos. A pessoas corriam pelas ruas com roupas e cabelos esvoaçantes, aterrorizadas e livres. 

Todas as construções foram derrubadas deixando apenas cinzas, pessoas descabeladas e nuas. Seguido o desespero do nada ter, veio a bonança do “nada a fazer”, e todos deitaram relaxados no nada.

O chão foi se partindo e dele brotando luzes em neon...verdes, azuis, amarelos, formando árvores e flores em forma de andaimes reluzentes. As pessoas nuas se levantaram para contemplar, e os reflexos das luzes tornavam seus corpos vestidos e seus cabelos como que repletos de vaga-lumes.

Esses andaimes reluzentes foram vagarosamente forrados por matérias que pareciam luzes, penas, folhas, galhos, águas, estrelas, pedras...formas que todos conheciam apenas de seus sonhos e de sua infância.
O choque humano, fez com que seus pés criassem asas nos pés, como Hermes, e todos começaram a voar em torno de si e dessa nova realidade.

A tristeza da perda, e a saudade das imagens destruídas, causava em todos, instantâneas nostalgias, que eram imediatamente apagadas pelo brilho das novas cores e impressões.

Os cabelos...ah os cabelos...passaram a ter outra importância, eram o movimento do ar e a extensão dos sonhos...E não conhecíamos todas as cores e cheiros, não éramos nada antes disso, além de autômatos esperando a morte e a submissão de nossa matéria a fazer parte da matéria morta e árida.

Pois a matéria não é mais morta. Ela é a extensão dos nossos bons pensamentos e a ressurreição de todos os sentimentos nobres. As plantas são mais brilhantes, o céu tem mais cores que o azul e a vida vai muito além do nascimento e da morte, dando finalmente um sentido a vontade de estar vivo.

Ceticismo



Reflita: para que não lastime,
e ame para que não sofra.
Ou curta suas lágrimas
que são de seu mérito,
e de sua falta de reflexão.
Se orgulha de "ser vítima"?
Apieda-te de ti mesmo?
Este é o resultado
por ter sido surdo
à tua própria intuição
Cético! Pragmático...
Patética a sua falta de fé
no que na realidade
é pura razão...
Sofra mesmo,
se auto-diagnostique meu irmão...
...é moderno ter bipolaridade!
justifique e fique à vontade...
...tome remédios, beba...
vire às costas para toda verdade
ou abra os olhos para a saudade
se ajoelhe
e se apresente à humildade.
Enxergue que é lógico
fugir da dor...
Se só acredita na física,
na química e biologia:
Acorda e olha para a luz do dia
e raciocina que toda criação
tem um criador.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Procissão no interior




Sigo na procissão, e nessas ruas estreitas estreladas, de paralelepípedos milenares, sigo descalça, vestida de branco e rendas. Carrego uma pequena caixa com meus pecados, trancada, para que nem eu possa vê-los.

Para homens e mulheres, o melhor do mundo, é o fato de que nessa caminhada, somos apenas ignorantes, crianças caminhantes , anjinhos perversos seguindo errantes, na única direção que os anjos mais velhos puderam nos ensinar.

Que a natureza preserve os nossos joelhos, ou que surjam novos parceiros, que nos ajudem a de pé caminhar. Nesse caminho louvamos nossos altares, nomeamos   nossa solidão perdida, damos a ela forma, a vestimos roupas e a carregamos nas costas,  louvamos, apenas para conseguir continuar. Os bichos nos seguem, sem desespero, por terem recebido, do provável dono dessa procissão, a dádiva da ignorância...ao invés do infortúnio da razão.

Sim, devemos ser realmente pecadores, o nosso castigo é pensar...se fôssemos ainda animais, tudo que hoje  se encontra nessa caixa pesada, nessa longa caminhada, estaria em outra procissão: Liberto ao vento, no caminho dos rios seguindo os peixes, embrenhado no cio dos lobos mata adentro, no amor contido em cada elemento.

Quem nos dera, durante essa procissão, resolvêssemos voltar atrás, por algum motivo da natureza,  parássemos estupefatos, olhando uns aos outros de fato, e corrêssemos para o início de tudo,  despindo idéias, arrancando as roupas, adornos sociais, penduricalhos matrimonias... Beatas repetidas, velhos desanimados, meninos desamparados, caucasianas e mulatas, guerreiros e malandros, mendigos e magnatas... quebrando  caixas,  libertando almas, inspirando e expirando imagens...apenas viver já é caminhar, nossos caminhos não são ruas, encontram-se embaralhados na Terra, no céu e no mar. Esse, é nosso altar.

E finalmente percebendo, que tudo, tudo é sagrado! Cada pecado por nós mesmos condenado...e assim sendo , nesse momento, retrocedêssemos nossas orações, aos idiomas, a antes das palavras e palavrões, aos grunhidos, que seja em gemidos,  dirigidos assim á perfeita impossibilidade,  e ao verdadeiro sentido de rezar. 


Ouvindo a Mãe Terra





Sim, eu sou mulher, eu pari o mundo e posso muda-lo só com meu ventre.

Guardo comigo a solução dos bichos, o mal dos homens e orgulhosamente: todo pecado do passado,  futuro e presente.

Ignoro o destino tomado pela razão, me encontro soterrada no elo perdido da paixão.

Mas sou extremamente forte, pantera atiçada pelo perigo de nossa atual condição, onde os filhos passam fome, meus hormônios explodem salvação.

Usina radioativa é usina do homem, a minha energia é a compaixão.

Me manifesto na natureza... Reverto minhas lágrimas em tsunamis, meus ciclos nas luas, meus temores nos vendavais.

E a chance dos meus filhos, é ouvir a mãe e quem sabe até descrer no pai: Se suas ordens não mudaram o mundo, não deveria tê-los deixado, passar de animais.









Troféu estranho






No silêncio do tentar escrever, meu corpo me diz que não passa de morada de várias mulheres perdidas no tempo. 

Elas me sussurram que  não se importam com as coisas que não conquistei, me informam democraticamente que ainda tem que me gritar onde eu posso chegar, e seu eu não sei, elas vão me guiar.

 Joana me grita que suas queimaduras ela me empresta de escudo, as mortas como bruxas me pedem para pecar, as santas não canonizadas se esvaem de choro em algum canto meu, rezando pelo meu não desfalecimento. 

As do céu me jogam suas asas e me dizem para eu me levantar, as do inferno me dão dicas de Caronte, Hades e Thánatos para que eu possa ludibria-los e continuar. 

Que meus filhos digam:- essa é minha mãe! Aquela que provou que se pode viver do que" não era." A que calou aqueles que acreditam que a vida, só existe pelo do que de ti, esperam. A que ouviu os loucos sem medo de sê-lo,  que cala os sãos, sem medo de não tê-los.

 Nada mais me importa.

O mundo borbulha estático nesse momento, fora da minha sala verde penumbra, onde sentada no meu trono imaginário, entendo que meus dedos conduzem  minhas revoluções a  transformar tudo que era para ser ócio, em criação.

Calo a todas e informo, que eu quero dinheiro!  O estranho troféu sem sentido! E o quero, pelo que ninguém espera. Quero-o pelos milagres que essas insanas podem me proporcionar, quero ser paga pelo meu mais profundo e absoluto mistério, pelo gozo do inesperado, pelo adormecido,  esquecido, ou morto estando nesses perdidos, todos os meus achados.



terça-feira, 17 de abril de 2012

Altar





No, I do not want to die, like the ones I love are gone! I want to be drunk sober until my last breath.

Imprisoning me shiver, I feel them forever!

Please ... I do not want to turn nothing static.I ask my dreams, they bring me wheels, tires, slingshots and catapults, as I shoot my verses, I sweat a joy!

I swear, I do not want to live in harmony! I want to be squeaky violin at night, to comfort my brothers in the light of day.Knot tied in agonized sleep, Penelope carpet on the floor of calm.

I want to die every time I get to my destination, to revive and I find myself and a new place, losing, finding, losing, birth, death, birth, lose, find ...

Body, this Greek! Blessed Cursed!I exorcise my soul to imprison you,I am warrior: Slave! That armor needs to shine ...I get used to their scrapes, the rest of my ill-treatment, itching, scars, stops rays of my passions, torpor, pleasure and moans, whispers, pops, I feel my throat growl,succumbing to your pleasure, my uterus ever give birth, menstruate, ovulate, oxygen synthesize ....I'm on my knees in the mirror, revere you.

...unfair ... always praised my soul in the first place ...I beg you, forgive me and hugs me, eat and drink yourself, while I stay.Takes my heart, heals the body!And one day, let me leave with decency...Please do not envy me because I'm there. My companion banished from paradise!

I scream: Body!
The Earth is its altar.
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Não, eu não quero partir como os meus que se foram! Eu quero estar embriagada até o meu último suspiro.

Aprisiono sorrateiramente meus arrepios, eu quero sentí-los eternamente!

Por favor...eu não quero virar nada estático. Peço aos meu sonhos que me tragam rodas, pneus, estilingues e catapultas, pois quero disparar meus versos, eu quero suar alegria!!

Eu juro que não quero viver em sintonia! Quero sim ser violino de noite desafinado, pra afinar meus irmãos na luz do dia. Nós atados no sono agoniado, tapete de Penélope no chão da calmaria. Quero morrer toda vez que ao meu destino eu chegar, pra eu reviver e me encontrar e um novo lugar, perder, encontrar, perder, nascer, morrer, nascer, perder, achar...

Corpo, presente grego! Bendito Maldito! Te esconjuro a em minha alma te aprisionar, guerrilheira que sou:  Escravo!! Essa armadura precisa brilhar...me acostumarei com seus arranhões, resto dos meus desmazelos, comichões, cicatrizes, para raio das minhas paixões, torpores, prazeres e gemidos, sussuros, estampidos, quero sentir  minha garganta grunhir, ao seu prazer sucumbir, meu útero eternamente parir, menstruar, ovular, oxigênio sintetizar...levo corpo, seu joelho ao espelho para te reverenciar.

Injusta...sempre louvei minha alma em primeiro lugar...Eu te peço, me perdoa, e me abraça, me come e me bebe enquanto eu  ficar. Acolhe minha essência, te cura corpo! E me deixa um dia partir com decência, não me inveje por que sou de lá, companheiro do paraíso banido!

Eu grito: Corpo!!
A Terra é seu altar.

Fígado de Prometeu




Como você ama? Eu amo como eu aprendi a amar. Sempre achei que não. Me julguei peculiar. Mas eu amo, exatamente como fui ensinada.

Por que? Por que a MINHA maneira de amar eu desconheço, ela se encontra perdida, afogada e escondida...e bóia em fragmentos dos meus sonhos, que eu, como pescadora “amadora”, tento fisgar...no que antes era um riacho, que se tornou um rio, hoje uma praia, amanhã quem sabe um dos oceanos, o oceano de idéias e pessoas que eu realmente sou.

Nesta minha praia, amor sequer tem nome. Pois fora desta praia, e ele veio exatamente de fora, programado e determinado, sequer comparável a qualquer elemento espontâneo da natureza. Eu, talvez todos nós, tenhamos aprendido a amar, como quem aprende a montar um objeto, que é encomendado, chega rotulado e com manual...sempre com defeito de fábrica ou garantia. Ele é bonito ou feio, grande ou pequeno, barato ou caro. Um produto. Finito.

Não, nos meus mergulhos eu sinto que ele não tem fim, forma ou valor. E quando acordo, sinto que erramos, e erramos muito, justamente por termos aprendido que ele é resultado de uma ciência exata. Ele é inexato. Ele é inexorável? Não...é flexível!Indestrutível? Não, ele não pode ser destruído, pode ser abalado, transformado e reconstruído, é um fígado de Prometeu.

Não quero




É muito natural:
Eu não quero mais.
Pela ambição,
galopei como um corcel
Ela ficou para trás
Acordo apenas
querendo estar em mim
e nada mais...

Universo Melancolia



Mas como segurança? Se moramos em uma bola que flutua no nada...Desconheço meu próprio universo, sempre em expansão e não estou certa se rodarei sempre em torno do sol. Não me protejo dos corpos celestes e pode cair um asteróide, ou quem sabe: A terra mal acomodada pode abruptamente tremer estourando usinas.

...Buraco negro, que me faz pensar que apenas existimos pela impossibilidade do “nada”...tudo longe e desconhecido...Onde haverá recursos para outras formas de vida? Outro acaso como nós?

Humanidade!!! Às vezes olho a minha volta, e por mais que eu tenha minhas crenças, eu refuto a possibilidade de não sermos nada, não termos realmente importância alguma, de termos o acaso da inteligência nos fazendo crer que somos mais importantes do que cada gota do oceano, cada poeira cósmica. Me distanciando de “Deus” a cada dia que se passa, me aproximo de uma força maior. A que tira de mim toda arrogância e prepotência de crer que sou privilegiada acima de todas as coisas. Abro mão dos privilégios  e me coloco na mesma altura de todos os seres vivos. Esta força seja lá qual for já me guia independente dos meus pedidos, com o mar, o vento e as estrelas e não as culparei por qualquer fracasso. Eu peço perdão por todos nós e sou agradecida a essa natureza por me proporcionar a experiência da vida. Agradeço pelo cosmos e quem sabe a alguma conjuntura estrelar por me permitir ser uma observadora neutra. Acho realmente tudo estranho e engraçado, as preocupações, os valores...isso por que não consigo pensar apenas no aqui e hoje, no riso fácil...não dá...

Objetivo. Isso eu quero continuar crendo: que todo esse conglomerado de coisas, formas, vidas, valores...tem um objetivo. O único que consigo imaginar é o nosso crescimento, estou longe de entender o por que... mas temos que crescer, amar, ser solidários...para que nos tornemos...Será? Será que existem criadores e criaturas? Acho que sim...então, enquanto não passamos de criaturas vamos aguardar “as ordens” dos criadores, sejam eles deus, deuses ou seja o que for que nos tire a responsabilidade do destino das coisas.


Heróis da África

Se eu sou brasileira,
Meu herói fala iorubá,
Anca parideira!
e quando minha maré é baixa,
e as águas estão tranquilas:
O meu mar é morto,
Filha daqui quando sossega
Chama Iansã pro vento soprar,
A mestiça quando está sem idéias,
Clama por Iemanjá
Atira rosas na praia
Pras suas ondas movimentar.
Filhas do sol
Dançam á lua
ao som batuque ,
mas aguardam em silêncio,
Obá trazer o inusitado,
O vendaval e o maremoto
atiçando o que estava parado...
Corpo da primitiva cresce
E a alma revela:
Chegou Oshossi!
Ele puxa o bicho,
Que chama Nanã
Pra ajudar a flor do mato
Obá acompanha
..E Oxumaré
chega com sua transformação.
Xangô!
Só pra consagrar
Neta da África
Brasileira mulher leão

Especialmente para Kátia Marina, que pariu meu grande amor

quinta-feira, 12 de abril de 2012

New citizen of the world,




Cineastas e escritores previram nosso futuro frio, cinza, sem rebolado e com seres ou completamente éticos ou de retorno a barbárie. Retorno? O futuro, hoje presente é colorido, musical, sim: tecnológico. Dr. Spock não é o nosso auto-retrato...esqueceram inclusive que todas aquelas tecnologias idealizadas no “onírico”, seria hoje movimentada por um emaranhado de marcas, formas e designs, que por conveniência, são altamente perecíveis.

Rebolamos! Compramos! Nos gabamos pela nossas “mentes abertas”...caucasianas usam rastafári, negros criam passado glamuroso inexistente, morenos, mulatos e mamelucos...se vestem da mesma forma, e provavelmente pensam de forma igual...pensam de forma igual e ainda acham isso bom.

O corpo não possui sentidos o suficiente, enclausurados pela lenda de Rômulo  e Remo, nascemos numa selva de tecnologia, a qual estamos atrelados ainda em face de nossa própria selvageria. A selvageria que nos mataria na ausência destas máquinas, tal como nos fosse tirado o leite da loba.

Urbanidade nos traduz. Mas, o que traduz urbanidade? Pois somos urbanos de fato por sobreviver em selva de pedras e chips, porém o sinônimo “afabilidade”, “possuir sociabilidade”, são hoje questionáveis e relativos. Fazer parte desse todo, que tem a pretensão de ser segmentado mas é único, ignorante por se achar peculiar apenas por vestir roupas de estilo diverso  e possuir gestos diferenciados. Diferenciados? Se nomeam éticos, ecológicos, sustentáveis..

Ética, para mim, como eu enxergo em meus “contemporâneos”, é um adaga viva, que se modifica de acordo com a conveniência de outrem e dos tempos, e quem a leva a sério e a classifique como imutável, que se prepare para que ela, apontada para o seu coração, te fira, e se não te levar a morte: aguarde calado a sua miséria.

Pois o “novo cidadão” é mais a armadura do que o herói, e foram todos construídos com a mesma matéria, mesma empresa e mesmo idioma que por se considerar global, se tornou... Idioma que ultrapassa a semântica e o léxico. Um enorme idioma de sentidos e símbolos imutáveis. Robôs com vida própria, que procriam, nascem, crescem e morrem sem questionar os por quês partindo do zero...pois é para esse zero que deveríamos voltar constantemente.

Se movem pouco, copiam e colam, consideram que a expressão é quase extinção. Só vêem sentido no que faz sentido. Extinguiram totalmente de seu consciente: Os caçadores, as bruxas, os alquimistas, os profetas, os pensadores, os heróis, os pintores, escritores, palhaços, mendigos...Isso por que somos os mestres da “classificação”, somos aqueles que “decodificam”, empilham e separam seres em caixas.

Orgulho? Nem de mim por estar afogada por omissão, neste vendaval de valores perdidos. Terremotos, maremotos, tsunamis, guerras externas não reverberam na placidez inabalável das terras planas e internas de nossos conformismos.

A emboscada - The ambush





I've been doing collection of tarot cards, not mystical issues, but issues mythical.One of the exercises I learned in art therapy is the use of these letters as a joke for the very logical break a supposed seriousness, and symbols are always powerful when it comes to action on behavior. Funny that, because the person who first became interested in knowing how it works, my son was more logical.Relaxed reading the book to understand the deck, whose theme helped him relax: A deck of Leonardo Da Vinci.

I like to play, especially for access brings you to some people, open doors, and anyway, even if by synchronicity, the letters lead to a reflection.

Friend wanted to train me for this deck, taking out the cards for me, the question I asked was: I got to live in "words" ¿The first letter defines the content of the question, the letter came from "the ambush", I got My friend looked at each other, trying to adjust our thinking to fit this card into something concrete.

I taught computer classes for many years, she held for long,I'm not spitting on the dish i ate. I was very helpful and within this "craft" of teaching, and I was "learning to learn": I could not  to study anything officially, because that would jeopardize my livelihood and livelihood my two sons. I was doing with the lemon, one sweet lemonade: Breaking barriers, studying the way that was possible ... If I started teaching basic computer, over the years I specialized in computer graphics, and my thirst for knowledge led me to teach for creative professionals, where with these, I learned much more than I taught.

The life led me to rotate between several "Erikas",  at the time I arrived at the place where the need has led me to believe to be correct, I realized that I was betrayed by my ego ... and this time in my life,I did not want nothing less than to prove to others that I could get somewhere. And I got.

Looking back I saw all my girls, and smiles, lost, abandoned... Abandoned paintings in dreams, other writing, others simply could not stand the pain. They suffered, dived in pain for at least three years, and decided to disappear to make way for an intruder, that did not look back. If there is no point plunge in pain,  will feel miserable. I could not follow this path.

The "most powerful Erika", had been silent, embarrassed, humiliated, tortured in the most literal sense possible. The others ... were also important, but led me to a labyrinth, whose output was not possible for them, way too small but so limited that I ended up in "Ambush," is there, my card in the deck.

Reflection of fate ¿Does he creates that this maze whose exit is only possible if we take paths consistent with the "Our most powerful I" .  "I had no way out," .. is ... it happens.

When we arrived at this moment, just what brings you passion, will set you free.

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Andei fazendo coleção de cartas de tarô, não por questões místicas, mas por questões míticas. Um dos exercícios que aprendi em arte terapia, é o uso dessas cartas como uma brincadeira para pessoas  muito lógicas quebrarem uma suposta sisudez, e os símbolos são sempre poderosos quando se trata de ação no comportamento. Engraçado isso, por que a primeira pessoa que se interessou em saber como funciona, foi meu filho mais lógico. Descontraído lia o livro para entender o baralho, cujo tema ajudou a descontraí-lo: Um baralho de Leonardo Da Vinci.

Eu gosto de brincar, principalmente pelo acesso que te traz a algumas pessoas, abre portas, e de qualquer forma, mesmo que por sincronicidade, as cartas de levam a uma reflexão.

Amiga quis treinar comigo por esse baralho, tirando as cartas para mim, a pergunta que fiz foi: Eu vou conseguir viver de “palavras”¿ A primeira, carta que define o conteúdo da pergunta, veio a carta “a emboscada”, ficamos eu minha amiga olhando uma para outra, tentando ajustar nossos pensamentos para encaixar essa carta em algo concreto.

Eu dei aulas de informática por muitos anos, me prendi a esse ofício, por que de certa forma ele me salvou, não cuspo no prato que comi. Me foi muito útil e dentro deste “ofício” de ensinar, eu fui “aprendendo a aprender”: Eu não tinha mais como, na altura da vida que cheguei, parar tudo para estudar oficialmente, pois isso comprometeria o meu sustento e dos meus 2 filhos. Fui fazendo desse limão, uma doce limonada que suas vitaminas se reverteram ao que minha saúde necessitava: Romper barreiras, estudar da forma que fosse possível...Se comecei a dar aulas de informática básica, com o decorrer dos anos me aprimorei em aulas de computação gráfica, e minha sede de conhecimento me levou a dar aula para profissionais de criação, onde com esses, aprendi muito mais do que ensinei.

A vida me levou a me revezar entre várias “Erikas”, e elas se tornaram tantas e tantas, disfarçadas dos diversos escudos que tive que empunhar, q ue no momento em que eu cheguei no local, em que a necessidade me levou a crer ser o correto,  percebi que fui traída pelo meu ego...e que nesta tal altura da minha vida, eu estava nada mais nada menos, do que provar para os outros que eu conseguia chegar a algum lugar. E cheguei. Olhando pra trás vi todas as minhas meninas, moças e sorrisos, perdidos, abandonados, onde eu as abandonei¿ Algumas eu deixei pintando nos sonhos, outras escrevendo na mente, outras simplesmente entorpeci...por não suportar encarar sua dor. Elas sofreram, mergulharam na dor por pelo ou menos 3 anos, decidiram sumir para dar lugar para uma intrusa que não precisaria mais olhar para trás. Esta mulher aqui que passou a se achar muito forte por conseguir “superar” seus problemas, ainda não havia compreendido que superar é fazer as pazes. Consigo mesma. Se de nada adianta mergulhar na dor e se sentir miserável, de nada adianta também, que em detrimento da fuga desta dor, fujamos dos caminhos onde neles estariam nossas principais paixões. Eu não consegui trilhar esse caminho. A “Erika mais poderosa”, havia sido calada, envergonhada, humilhada, torturada nos sentidos mais literais o possível. As outras...eram também importantes, mas me conduziram para um labirinto, cuja saída para elas não era possível, caminho tão restrito, mas tão restrito, que fui parar numa “Emboscada”, está aí, a minha carta do baralho.

Quando chegamos a um momento, em que nada parece ter saída, esse é o momento em que apenas o que te trás paixão, é possível. Reflexão do destino¿ Será que ele cria esse tal labirinto cuja saída, só é possível  se tomarmos caminhos condizentes, com o “Nosso eu mais poderoso”¿ Sem esse ser, não somos inteiros, abandonos pessoais, que vão nos tornando “frangalhos de nós mesmos”, fracos, impotentes que sequer conseguem enxergar todos os caminhos possíveis¿


Tesouro Primitivo


Eu tenho memória de um fato, que só ontem eu me dei por conta, o quanto e como ele foi importante para mim. Algum pensamento encadeado, me fez lembrar do momento do parto do meu segundo filho, o primeiro parto que fiz foi cesárea e o segundo foi parto normal. Me lembrei do momento em que “expulsei” Lucas de mim...as enfermeiras gritavam empurra...empurra. Eu não fiz força para empurrar, mas houve o empurrão e grunhidos que ocorreram de forma totalmente  alheia a minha vontade, uma sensação muito agradável, difícil de descrever, como se a natureza se apossasse de mim e tomasse minhas rédeas,  um empurrão. Minha garganta se abriu e literalmente grunhi...

Hoje estou vendo esse momento, como um contato supremo com nossa natureza primeva.“Nossa” em função desta memória definitivamente não ser minha visto que foi meu primeiro parto normal. Nossa, por que todos nós temos guardada, nossa natureza primal.

Encadeando um pouco mais com outras sensações que vivi, levo fama até hoje de geniosa, pois quando eu era criança, quando passava por determinadas situações que eu necessitava de defesa, me modificava, quantas vezes, ouvi de minha mãe “segura ela”, pois só de olhar para os meus olhos cerrados e a mordedura da boca segurando os lábios, que ela sabia que meu próximo evento seria atacar. Ainda sinto isso em algumas situações, e quando isso está para chegar, eu peço para ficar só. Por que a natureza nesse tempo, já me colocava em suas rédeas.

Não sei por que acontecia, se isso foi resultado do meio, ou essa natureza em mim, já nasceu aflorada, mas fiz questão, de muitos anos para cá, de tirar a natureza do comando, e deixar minha razão na montaria.
Porém, além de ter me poupado de uma série de desconfortos,  me privou de um grupo de intuições que montavam em mim junto com a natureza.

Ontem eu discuti com minha filha: Como ela não queria acordar, eu simplesmente peguei o filho dela para cuidar neste dia, e ela resolveu deixar virem  buscar o filho dela numa situação que certamente traria riscos para a criança, porém o raciocínio de que, quem deveria ter tomado conta dele, deveria ser a mãe e não eu e de que aquela criança não poderia  entrar nessa situação de perigo,  foi crescendo, e de repente, entrei em um processo de mau humor, fora do meu controle, pedia para ela me deixar só no quarto, cheguei a escrever para minha mãe, alertando que eu iria estourar, expliquei que mais uma gota eu perderia o controle...Marcela quis forçar para entrar no quarto, e eu a empurrei, com todas as minhas forças para que ela saísse. Pronto...lá vem a danada de novo nas minhas costas, o pior...nas costas dela também. Brigamos, feio...ela gritava que não queria assustar o filho que eu parasse de vez por todas de brigar com ela.

Bom... a chave para a briga, foi justamente ela se ausentar da proteção do filho, como que de repente a preocupação dela, era proteger o filho¿

Depois disso ela foi se acalmando, e tomou a decisão de realmente não expor o filho aquela situação...pensando hoje nisso, cheguei a conclusão, que não foi minha conversa que ajudou a tomar uma decisão: foi simplesmente a primeira vez que vi a natureza montar nas costas dela, e ela por si só, mostrou para Marcela o caminho correto.

Entendi então, lembrando de diversas passagens, que Marcela está completamente desconexada com essa natureza primeva, compreendi o quanto ela é necessária, compreendi também quais as coisas boas que ela me trazia e mentalmente, separei das coisas ruins.

Temos um tesouro intuitivo,  que é a chave de ligação para nossos instintos,  neles estão guardadas  muitas, mas muitas habilidades, que não exercemos, capacidades que nos foram transferidas e desconhecemos.
Essa ponte da intuição, é capenga em Marcela

Passagem errante




A vida é breve, e de noite
Eu penso no seu objetivo
Mas não encontro respostas
Por isso, não sei
Se vale à pena agir, crescer, ter...
Temporadas vem e vão
Encobrindo  camadas de pele jovem
Trazendo  frutas e engolindo amores
Mas a qual artista de toda criação
estaríamos contemplando¿
em que direção é a sua morada¿
Batamos  palmas então
Rodopiando  ao vento
Agradecendo o reconhecimento
Do desconhecido...
Soframos a dúvida
De que aqui é apenas breve passagem
Ou é nossa morada eterna.
O que fazer por ela,
Que hora nos deixa expostos
Hora nos acalenta com suas nuvens
Sol, estrelas e até concreto armado
Batamos palmas para esse gênio
Que pode até ser o vazio
Nos fazendo crer
Que dele somos diferentes
Mensagens, mensagens, mensagens
Que vem e vão
De povos indígenas, errantes
Bárbaros, ciganos, urbanos
Rupestres...
As vezes quero partir
Num trem que não sei o destino
Mas que me leve para longe daqui
Deste zoológico de jaulas invisíveis
Sem temer os danos ...
Onde está o lugar no universo
Onde realmente se produz¿
E se ele existir,
Queria estar lá,
Mesmo na possibilidade
De eu ser apenas uma engrenagem
Do criador
Que se mova e que faça mover...
Pois hoje,
Tudo que vejo
É ferro velho e material de reposição
Estoque
Entulho
Embrulho
Oposto do orgulho

Herói "Pensamento"


sábado, 22 de outubro de 2011

Moça Hipérbole



(Imagem de Perséfone)
Eu tenho em mim uma hipérbole,
onde tudo nela é mais.
Perséfone...
É uma moça de sangue quente
Perdida no cais
e de modos italianos.
O choro dela é mais estridente,
as dores mais profundas,
o riso mais frouxo
 o gozo mais indecente.
É ela a parte do meu prazer
e me promove riscos,
não se importa em maldizer...
é a que tem sede de liberdade,
vontade de fugir,
desprezo pela verdade
atração pelos prazeres vãos.
Prevenida guarda:
 Duas moedas para Caronte,
o alimento para Cérbero,
e uma coroa para Hades.
Crê ser esse rio, a ponte
para o descanso que morreu...
perdendo seus escrúpulos
mas encontrando seu eu...

Dimensão



Somos uma ampulheta, e a quantidade de areia que está dentro dela, a velocidade que ela se esvai...somos nós que projetamos dentro das limitações que a “civilidade” nos permite. O fato é que ela gira quando a areia se acaba, tornando um ciclo sem fim...nesses giros nossos horizontes se abrem, a vida se torna maior assim como nossas capacidades.
Ainda não há uma definição única de felicidade, e talvez nunca haja...porém, mais uma vez nosso idioma, amarra diversos significados a apenas um símbolo, pois quais são as alegrias dignas? Só teremos um breve noção do que é felicidade profunda quando nos desintoxicarmos de nossas experiências sociais, que nos fazem acreditar que o outro tem que compartilhar da nossa felicidade...apreciar, bater palmas para o nosso sucesso, sucesso...ou seja, a alegria está normativamente ligada ao quanto somos admirados.
Singularidade...exige coragem. Não somos mestres, somos de um tempo onde maior parte das invenções foram inventadas, quadros foram pintados, filmes feitos, filosofias construídas. Somos filhos não singulares, e nesse mundo já pronto, aos nossos olhos estreitos, nos parece que só nos resta usufruir. Usufruir coisas inúteis, inúmeras e que cabe no universo particular que construímos: Na nossa casa, no nosso carro, na nossa beleza.
O céu, e tudo que está nele não passa de uma vista que ilustra o mesanino de uma construção perecível. Ele simplesmente é uma paisagem, que existe por que vemos. E vemos pouco. Sentimos muito e sem qualidade.
Sofri sempre, por enxergar que tudo que temos acesso não passa de uma grande ilusão emprestada por tempo limitado. Vejo pessoas perdendo...perdendo...e ficando contentes pela sorte de recuperar o que perdeu...afinal, só se pode recuperar, o que já se teve de posse. Mas e o novo? O mundo em sua totalidade ainda se encontra no desconhecido...perdemos é  tudo que desconhecemos...por isso a vida ainda é frágil. Por que tudo que desconhecemos, está sempre entre nós como fantasmas que não podemos ver ou tocar.
Prefiro e aprendi a acreditar que estamos aqui visitando família e amigos...estamos aqui para crescer juntos...a sensação de que estou em um trecho da minha passagem me faz continuar trabalhando e aplacando meu medo. Construir? Sim, mas lembrando que em determinado momento tudo vai ter que ficar, como que num almoxarife, aguardando que outros possam usufruir e tornar suas vidas mais dignas. Dignas...Alegres
A alegria pura não pede aplausos...e se a sua já te pediu algum dia, me apiedo pela sua fraqueza, pelo seu desinteresse por si mesmo e pela morte dos seus mais puros desejos, aqueles  que te tornariam uma pessoa singular.Pois para cada indivíduo, a vida tem uma dimensão: A dimensão do desconhecido que ele pode enxergar com um critério só seu...as várias releituras do que pode ser real. As imagens desse universo que construímos com nossa própria e mais pura essência, são as imagens que cruzarão conosco de forma mortal ou salvadora.


A morte


É...a vida continua, e a morte a desmistifica, a simplifica e a torna banal.
Só perdendo alguém nos damos por conta, finalmente de  que tudo é passageiro, pouco é nosso e quase tudo emprestado. Como e pra que continuar essa jornada? Sorrindo? Sorrir na certeza de que aqui somos clandestinos é muito difícil, mas vale o esforço sorrir para ajudar aos que estão no início de uma caminhada, e na certeza de que solidão é apenas saudade que um dia vai ser esgotada.
Talvez eu tivesse acreditado até hoje que a fé me traria um 0800 espiritual  de consolo...onde com uma linha direta, eu teria notícias daquele que sempre quis saber a hora que eu sairia ou iria chegar. É as notícias não chegam mesmo, e eu me sinto talvez como ele se sentia nas noites em que eu saia sem dar notícias e ele ficava me esperando na porta. Eu sei que ele está lá, mas não sei como, isso é desconfortante, além da saudade.
A fila anda...é isso também que a perda te mostra...continua caminhando e de cabeça erguida...faz algo que ele tenha feito, e coisas que ele deixou de fazer...tenha tempo para seus filhos...ame...seja carinhoso...diga hoje o que sente...trabalhe muito sem deixar de relaxar...
Certa vez uma amiga me disse que amava muito o marido, eu a perguntei o que ela faria se ele fosse para uma guerra, ela respondeu prontamente que se casaria novamente, eu respondi: -Pois é, a um filho, se espera. Pensei outro dia: -Será que minha avó, depois de anos desencarnada, ainda tem o mesmo sentimento por mim? Deixamos de ver amigos por anos e quando os vemos, sentimos como se fosse outra pessoa. Me lembrei dos laços eternos, aqueles que o tempo não rompe. Acho que eles existem sim. Apesar da perda, acredito que em algum lugar ele e outros laços que cultivei, que consegui amar apesar de desavenças, que consegui perdoar e ser perdoada, que não se mantiveram por valores superficiais...estão aqui e lá, perenes, na verdade, a única força perene da natureza, e é por ela que devemos continuar sorrindo.

sábado, 19 de março de 2011

Pousando

Não tenho tido vontade de escrever...por que me senti tão livre que não pude me conter, precisei voltar. Mas voltando, sendo o que eu tenho que ser, ou o que eu sempre deveria ter sido, parecendo ser assim que eu me encontro, na realidade de mim eu me afasto. Tenho tentado andar pelos quarteirões estando neles e não em outro mundo, tentando pousar, é difícil ter os pés no chão ou enxergar o grande no pequeno, o mágico no simples, mas isso é se manter são e vivo. Estou voltando e não sei pra onde e não gosto de voltar. Repudio as prisões invisíveis aos outros e para mim disfarçadas de lojas, escolas, restaurantes, calçadões...mas eu preciso delas. Não me sinto autômata e isso fez de mim uma estranha que hoje reconheço. Bisbilhoto medos alheios, catalogo a mesmice desapercebida e me choco com a falta de sentido do próprio sentido. Rotina. Maçante e necessária rotina. Tenho tentado participar dela travando uma batalha com o óbvio, me sentindo o fantoche ao menos subversivo. Um pensamento me faz suportar: Nada é mais concreto do que as lembranças. Nada é absoluto senão o sumo do dia-a-dia que os anos levam. No final das contas quem decide tudo sou eu, independente do que possuo ou não, sou eu que conto minha história.