terça-feira, 17 de abril de 2012


Heróis da África

Se eu sou brasileira,
Meu herói fala iorubá,
Anca parideira!
e quando minha maré é baixa,
e as águas estão tranquilas:
O meu mar é morto,
Filha daqui quando sossega
Chama Iansã pro vento soprar,
A mestiça quando está sem idéias,
Clama por Iemanjá
Atira rosas na praia
Pras suas ondas movimentar.
Filhas do sol
Dançam á lua
ao som batuque ,
mas aguardam em silêncio,
Obá trazer o inusitado,
O vendaval e o maremoto
atiçando o que estava parado...
Corpo da primitiva cresce
E a alma revela:
Chegou Oshossi!
Ele puxa o bicho,
Que chama Nanã
Pra ajudar a flor do mato
Obá acompanha
..E Oxumaré
chega com sua transformação.
Xangô!
Só pra consagrar
Neta da África
Brasileira mulher leão

Especialmente para Kátia Marina, que pariu meu grande amor

quinta-feira, 12 de abril de 2012

New citizen of the world,




Cineastas e escritores previram nosso futuro frio, cinza, sem rebolado e com seres ou completamente éticos ou de retorno a barbárie. Retorno? O futuro, hoje presente é colorido, musical, sim: tecnológico. Dr. Spock não é o nosso auto-retrato...esqueceram inclusive que todas aquelas tecnologias idealizadas no “onírico”, seria hoje movimentada por um emaranhado de marcas, formas e designs, que por conveniência, são altamente perecíveis.

Rebolamos! Compramos! Nos gabamos pela nossas “mentes abertas”...caucasianas usam rastafári, negros criam passado glamuroso inexistente, morenos, mulatos e mamelucos...se vestem da mesma forma, e provavelmente pensam de forma igual...pensam de forma igual e ainda acham isso bom.

O corpo não possui sentidos o suficiente, enclausurados pela lenda de Rômulo  e Remo, nascemos numa selva de tecnologia, a qual estamos atrelados ainda em face de nossa própria selvageria. A selvageria que nos mataria na ausência destas máquinas, tal como nos fosse tirado o leite da loba.

Urbanidade nos traduz. Mas, o que traduz urbanidade? Pois somos urbanos de fato por sobreviver em selva de pedras e chips, porém o sinônimo “afabilidade”, “possuir sociabilidade”, são hoje questionáveis e relativos. Fazer parte desse todo, que tem a pretensão de ser segmentado mas é único, ignorante por se achar peculiar apenas por vestir roupas de estilo diverso  e possuir gestos diferenciados. Diferenciados? Se nomeam éticos, ecológicos, sustentáveis..

Ética, para mim, como eu enxergo em meus “contemporâneos”, é um adaga viva, que se modifica de acordo com a conveniência de outrem e dos tempos, e quem a leva a sério e a classifique como imutável, que se prepare para que ela, apontada para o seu coração, te fira, e se não te levar a morte: aguarde calado a sua miséria.

Pois o “novo cidadão” é mais a armadura do que o herói, e foram todos construídos com a mesma matéria, mesma empresa e mesmo idioma que por se considerar global, se tornou... Idioma que ultrapassa a semântica e o léxico. Um enorme idioma de sentidos e símbolos imutáveis. Robôs com vida própria, que procriam, nascem, crescem e morrem sem questionar os por quês partindo do zero...pois é para esse zero que deveríamos voltar constantemente.

Se movem pouco, copiam e colam, consideram que a expressão é quase extinção. Só vêem sentido no que faz sentido. Extinguiram totalmente de seu consciente: Os caçadores, as bruxas, os alquimistas, os profetas, os pensadores, os heróis, os pintores, escritores, palhaços, mendigos...Isso por que somos os mestres da “classificação”, somos aqueles que “decodificam”, empilham e separam seres em caixas.

Orgulho? Nem de mim por estar afogada por omissão, neste vendaval de valores perdidos. Terremotos, maremotos, tsunamis, guerras externas não reverberam na placidez inabalável das terras planas e internas de nossos conformismos.

A emboscada - The ambush





I've been doing collection of tarot cards, not mystical issues, but issues mythical.One of the exercises I learned in art therapy is the use of these letters as a joke for the very logical break a supposed seriousness, and symbols are always powerful when it comes to action on behavior. Funny that, because the person who first became interested in knowing how it works, my son was more logical.Relaxed reading the book to understand the deck, whose theme helped him relax: A deck of Leonardo Da Vinci.

I like to play, especially for access brings you to some people, open doors, and anyway, even if by synchronicity, the letters lead to a reflection.

Friend wanted to train me for this deck, taking out the cards for me, the question I asked was: I got to live in "words" ¿The first letter defines the content of the question, the letter came from "the ambush", I got My friend looked at each other, trying to adjust our thinking to fit this card into something concrete.

I taught computer classes for many years, she held for long,I'm not spitting on the dish i ate. I was very helpful and within this "craft" of teaching, and I was "learning to learn": I could not  to study anything officially, because that would jeopardize my livelihood and livelihood my two sons. I was doing with the lemon, one sweet lemonade: Breaking barriers, studying the way that was possible ... If I started teaching basic computer, over the years I specialized in computer graphics, and my thirst for knowledge led me to teach for creative professionals, where with these, I learned much more than I taught.

The life led me to rotate between several "Erikas",  at the time I arrived at the place where the need has led me to believe to be correct, I realized that I was betrayed by my ego ... and this time in my life,I did not want nothing less than to prove to others that I could get somewhere. And I got.

Looking back I saw all my girls, and smiles, lost, abandoned... Abandoned paintings in dreams, other writing, others simply could not stand the pain. They suffered, dived in pain for at least three years, and decided to disappear to make way for an intruder, that did not look back. If there is no point plunge in pain,  will feel miserable. I could not follow this path.

The "most powerful Erika", had been silent, embarrassed, humiliated, tortured in the most literal sense possible. The others ... were also important, but led me to a labyrinth, whose output was not possible for them, way too small but so limited that I ended up in "Ambush," is there, my card in the deck.

Reflection of fate ¿Does he creates that this maze whose exit is only possible if we take paths consistent with the "Our most powerful I" .  "I had no way out," .. is ... it happens.

When we arrived at this moment, just what brings you passion, will set you free.

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Andei fazendo coleção de cartas de tarô, não por questões místicas, mas por questões míticas. Um dos exercícios que aprendi em arte terapia, é o uso dessas cartas como uma brincadeira para pessoas  muito lógicas quebrarem uma suposta sisudez, e os símbolos são sempre poderosos quando se trata de ação no comportamento. Engraçado isso, por que a primeira pessoa que se interessou em saber como funciona, foi meu filho mais lógico. Descontraído lia o livro para entender o baralho, cujo tema ajudou a descontraí-lo: Um baralho de Leonardo Da Vinci.

Eu gosto de brincar, principalmente pelo acesso que te traz a algumas pessoas, abre portas, e de qualquer forma, mesmo que por sincronicidade, as cartas de levam a uma reflexão.

Amiga quis treinar comigo por esse baralho, tirando as cartas para mim, a pergunta que fiz foi: Eu vou conseguir viver de “palavras”¿ A primeira, carta que define o conteúdo da pergunta, veio a carta “a emboscada”, ficamos eu minha amiga olhando uma para outra, tentando ajustar nossos pensamentos para encaixar essa carta em algo concreto.

Eu dei aulas de informática por muitos anos, me prendi a esse ofício, por que de certa forma ele me salvou, não cuspo no prato que comi. Me foi muito útil e dentro deste “ofício” de ensinar, eu fui “aprendendo a aprender”: Eu não tinha mais como, na altura da vida que cheguei, parar tudo para estudar oficialmente, pois isso comprometeria o meu sustento e dos meus 2 filhos. Fui fazendo desse limão, uma doce limonada que suas vitaminas se reverteram ao que minha saúde necessitava: Romper barreiras, estudar da forma que fosse possível...Se comecei a dar aulas de informática básica, com o decorrer dos anos me aprimorei em aulas de computação gráfica, e minha sede de conhecimento me levou a dar aula para profissionais de criação, onde com esses, aprendi muito mais do que ensinei.

A vida me levou a me revezar entre várias “Erikas”, e elas se tornaram tantas e tantas, disfarçadas dos diversos escudos que tive que empunhar, q ue no momento em que eu cheguei no local, em que a necessidade me levou a crer ser o correto,  percebi que fui traída pelo meu ego...e que nesta tal altura da minha vida, eu estava nada mais nada menos, do que provar para os outros que eu conseguia chegar a algum lugar. E cheguei. Olhando pra trás vi todas as minhas meninas, moças e sorrisos, perdidos, abandonados, onde eu as abandonei¿ Algumas eu deixei pintando nos sonhos, outras escrevendo na mente, outras simplesmente entorpeci...por não suportar encarar sua dor. Elas sofreram, mergulharam na dor por pelo ou menos 3 anos, decidiram sumir para dar lugar para uma intrusa que não precisaria mais olhar para trás. Esta mulher aqui que passou a se achar muito forte por conseguir “superar” seus problemas, ainda não havia compreendido que superar é fazer as pazes. Consigo mesma. Se de nada adianta mergulhar na dor e se sentir miserável, de nada adianta também, que em detrimento da fuga desta dor, fujamos dos caminhos onde neles estariam nossas principais paixões. Eu não consegui trilhar esse caminho. A “Erika mais poderosa”, havia sido calada, envergonhada, humilhada, torturada nos sentidos mais literais o possível. As outras...eram também importantes, mas me conduziram para um labirinto, cuja saída para elas não era possível, caminho tão restrito, mas tão restrito, que fui parar numa “Emboscada”, está aí, a minha carta do baralho.

Quando chegamos a um momento, em que nada parece ter saída, esse é o momento em que apenas o que te trás paixão, é possível. Reflexão do destino¿ Será que ele cria esse tal labirinto cuja saída, só é possível  se tomarmos caminhos condizentes, com o “Nosso eu mais poderoso”¿ Sem esse ser, não somos inteiros, abandonos pessoais, que vão nos tornando “frangalhos de nós mesmos”, fracos, impotentes que sequer conseguem enxergar todos os caminhos possíveis¿


Tesouro Primitivo


Eu tenho memória de um fato, que só ontem eu me dei por conta, o quanto e como ele foi importante para mim. Algum pensamento encadeado, me fez lembrar do momento do parto do meu segundo filho, o primeiro parto que fiz foi cesárea e o segundo foi parto normal. Me lembrei do momento em que “expulsei” Lucas de mim...as enfermeiras gritavam empurra...empurra. Eu não fiz força para empurrar, mas houve o empurrão e grunhidos que ocorreram de forma totalmente  alheia a minha vontade, uma sensação muito agradável, difícil de descrever, como se a natureza se apossasse de mim e tomasse minhas rédeas,  um empurrão. Minha garganta se abriu e literalmente grunhi...

Hoje estou vendo esse momento, como um contato supremo com nossa natureza primeva.“Nossa” em função desta memória definitivamente não ser minha visto que foi meu primeiro parto normal. Nossa, por que todos nós temos guardada, nossa natureza primal.

Encadeando um pouco mais com outras sensações que vivi, levo fama até hoje de geniosa, pois quando eu era criança, quando passava por determinadas situações que eu necessitava de defesa, me modificava, quantas vezes, ouvi de minha mãe “segura ela”, pois só de olhar para os meus olhos cerrados e a mordedura da boca segurando os lábios, que ela sabia que meu próximo evento seria atacar. Ainda sinto isso em algumas situações, e quando isso está para chegar, eu peço para ficar só. Por que a natureza nesse tempo, já me colocava em suas rédeas.

Não sei por que acontecia, se isso foi resultado do meio, ou essa natureza em mim, já nasceu aflorada, mas fiz questão, de muitos anos para cá, de tirar a natureza do comando, e deixar minha razão na montaria.
Porém, além de ter me poupado de uma série de desconfortos,  me privou de um grupo de intuições que montavam em mim junto com a natureza.

Ontem eu discuti com minha filha: Como ela não queria acordar, eu simplesmente peguei o filho dela para cuidar neste dia, e ela resolveu deixar virem  buscar o filho dela numa situação que certamente traria riscos para a criança, porém o raciocínio de que, quem deveria ter tomado conta dele, deveria ser a mãe e não eu e de que aquela criança não poderia  entrar nessa situação de perigo,  foi crescendo, e de repente, entrei em um processo de mau humor, fora do meu controle, pedia para ela me deixar só no quarto, cheguei a escrever para minha mãe, alertando que eu iria estourar, expliquei que mais uma gota eu perderia o controle...Marcela quis forçar para entrar no quarto, e eu a empurrei, com todas as minhas forças para que ela saísse. Pronto...lá vem a danada de novo nas minhas costas, o pior...nas costas dela também. Brigamos, feio...ela gritava que não queria assustar o filho que eu parasse de vez por todas de brigar com ela.

Bom... a chave para a briga, foi justamente ela se ausentar da proteção do filho, como que de repente a preocupação dela, era proteger o filho¿

Depois disso ela foi se acalmando, e tomou a decisão de realmente não expor o filho aquela situação...pensando hoje nisso, cheguei a conclusão, que não foi minha conversa que ajudou a tomar uma decisão: foi simplesmente a primeira vez que vi a natureza montar nas costas dela, e ela por si só, mostrou para Marcela o caminho correto.

Entendi então, lembrando de diversas passagens, que Marcela está completamente desconexada com essa natureza primeva, compreendi o quanto ela é necessária, compreendi também quais as coisas boas que ela me trazia e mentalmente, separei das coisas ruins.

Temos um tesouro intuitivo,  que é a chave de ligação para nossos instintos,  neles estão guardadas  muitas, mas muitas habilidades, que não exercemos, capacidades que nos foram transferidas e desconhecemos.
Essa ponte da intuição, é capenga em Marcela

Passagem errante




A vida é breve, e de noite
Eu penso no seu objetivo
Mas não encontro respostas
Por isso, não sei
Se vale à pena agir, crescer, ter...
Temporadas vem e vão
Encobrindo  camadas de pele jovem
Trazendo  frutas e engolindo amores
Mas a qual artista de toda criação
estaríamos contemplando¿
em que direção é a sua morada¿
Batamos  palmas então
Rodopiando  ao vento
Agradecendo o reconhecimento
Do desconhecido...
Soframos a dúvida
De que aqui é apenas breve passagem
Ou é nossa morada eterna.
O que fazer por ela,
Que hora nos deixa expostos
Hora nos acalenta com suas nuvens
Sol, estrelas e até concreto armado
Batamos palmas para esse gênio
Que pode até ser o vazio
Nos fazendo crer
Que dele somos diferentes
Mensagens, mensagens, mensagens
Que vem e vão
De povos indígenas, errantes
Bárbaros, ciganos, urbanos
Rupestres...
As vezes quero partir
Num trem que não sei o destino
Mas que me leve para longe daqui
Deste zoológico de jaulas invisíveis
Sem temer os danos ...
Onde está o lugar no universo
Onde realmente se produz¿
E se ele existir,
Queria estar lá,
Mesmo na possibilidade
De eu ser apenas uma engrenagem
Do criador
Que se mova e que faça mover...
Pois hoje,
Tudo que vejo
É ferro velho e material de reposição
Estoque
Entulho
Embrulho
Oposto do orgulho

Herói "Pensamento"


sábado, 22 de outubro de 2011

Moça Hipérbole



(Imagem de Perséfone)
Eu tenho em mim uma hipérbole,
onde tudo nela é mais.
Perséfone...
É uma moça de sangue quente
Perdida no cais
e de modos italianos.
O choro dela é mais estridente,
as dores mais profundas,
o riso mais frouxo
 o gozo mais indecente.
É ela a parte do meu prazer
e me promove riscos,
não se importa em maldizer...
é a que tem sede de liberdade,
vontade de fugir,
desprezo pela verdade
atração pelos prazeres vãos.
Prevenida guarda:
 Duas moedas para Caronte,
o alimento para Cérbero,
e uma coroa para Hades.
Crê ser esse rio, a ponte
para o descanso que morreu...
perdendo seus escrúpulos
mas encontrando seu eu...

Dimensão



Somos uma ampulheta, e a quantidade de areia que está dentro dela, a velocidade que ela se esvai...somos nós que projetamos dentro das limitações que a “civilidade” nos permite. O fato é que ela gira quando a areia se acaba, tornando um ciclo sem fim...nesses giros nossos horizontes se abrem, a vida se torna maior assim como nossas capacidades.
Ainda não há uma definição única de felicidade, e talvez nunca haja...porém, mais uma vez nosso idioma, amarra diversos significados a apenas um símbolo, pois quais são as alegrias dignas? Só teremos um breve noção do que é felicidade profunda quando nos desintoxicarmos de nossas experiências sociais, que nos fazem acreditar que o outro tem que compartilhar da nossa felicidade...apreciar, bater palmas para o nosso sucesso, sucesso...ou seja, a alegria está normativamente ligada ao quanto somos admirados.
Singularidade...exige coragem. Não somos mestres, somos de um tempo onde maior parte das invenções foram inventadas, quadros foram pintados, filmes feitos, filosofias construídas. Somos filhos não singulares, e nesse mundo já pronto, aos nossos olhos estreitos, nos parece que só nos resta usufruir. Usufruir coisas inúteis, inúmeras e que cabe no universo particular que construímos: Na nossa casa, no nosso carro, na nossa beleza.
O céu, e tudo que está nele não passa de uma vista que ilustra o mesanino de uma construção perecível. Ele simplesmente é uma paisagem, que existe por que vemos. E vemos pouco. Sentimos muito e sem qualidade.
Sofri sempre, por enxergar que tudo que temos acesso não passa de uma grande ilusão emprestada por tempo limitado. Vejo pessoas perdendo...perdendo...e ficando contentes pela sorte de recuperar o que perdeu...afinal, só se pode recuperar, o que já se teve de posse. Mas e o novo? O mundo em sua totalidade ainda se encontra no desconhecido...perdemos é  tudo que desconhecemos...por isso a vida ainda é frágil. Por que tudo que desconhecemos, está sempre entre nós como fantasmas que não podemos ver ou tocar.
Prefiro e aprendi a acreditar que estamos aqui visitando família e amigos...estamos aqui para crescer juntos...a sensação de que estou em um trecho da minha passagem me faz continuar trabalhando e aplacando meu medo. Construir? Sim, mas lembrando que em determinado momento tudo vai ter que ficar, como que num almoxarife, aguardando que outros possam usufruir e tornar suas vidas mais dignas. Dignas...Alegres
A alegria pura não pede aplausos...e se a sua já te pediu algum dia, me apiedo pela sua fraqueza, pelo seu desinteresse por si mesmo e pela morte dos seus mais puros desejos, aqueles  que te tornariam uma pessoa singular.Pois para cada indivíduo, a vida tem uma dimensão: A dimensão do desconhecido que ele pode enxergar com um critério só seu...as várias releituras do que pode ser real. As imagens desse universo que construímos com nossa própria e mais pura essência, são as imagens que cruzarão conosco de forma mortal ou salvadora.


A morte


É...a vida continua, e a morte a desmistifica, a simplifica e a torna banal.
Só perdendo alguém nos damos por conta, finalmente de  que tudo é passageiro, pouco é nosso e quase tudo emprestado. Como e pra que continuar essa jornada? Sorrindo? Sorrir na certeza de que aqui somos clandestinos é muito difícil, mas vale o esforço sorrir para ajudar aos que estão no início de uma caminhada, e na certeza de que solidão é apenas saudade que um dia vai ser esgotada.
Talvez eu tivesse acreditado até hoje que a fé me traria um 0800 espiritual  de consolo...onde com uma linha direta, eu teria notícias daquele que sempre quis saber a hora que eu sairia ou iria chegar. É as notícias não chegam mesmo, e eu me sinto talvez como ele se sentia nas noites em que eu saia sem dar notícias e ele ficava me esperando na porta. Eu sei que ele está lá, mas não sei como, isso é desconfortante, além da saudade.
A fila anda...é isso também que a perda te mostra...continua caminhando e de cabeça erguida...faz algo que ele tenha feito, e coisas que ele deixou de fazer...tenha tempo para seus filhos...ame...seja carinhoso...diga hoje o que sente...trabalhe muito sem deixar de relaxar...
Certa vez uma amiga me disse que amava muito o marido, eu a perguntei o que ela faria se ele fosse para uma guerra, ela respondeu prontamente que se casaria novamente, eu respondi: -Pois é, a um filho, se espera. Pensei outro dia: -Será que minha avó, depois de anos desencarnada, ainda tem o mesmo sentimento por mim? Deixamos de ver amigos por anos e quando os vemos, sentimos como se fosse outra pessoa. Me lembrei dos laços eternos, aqueles que o tempo não rompe. Acho que eles existem sim. Apesar da perda, acredito que em algum lugar ele e outros laços que cultivei, que consegui amar apesar de desavenças, que consegui perdoar e ser perdoada, que não se mantiveram por valores superficiais...estão aqui e lá, perenes, na verdade, a única força perene da natureza, e é por ela que devemos continuar sorrindo.

sábado, 19 de março de 2011

Pousando

Não tenho tido vontade de escrever...por que me senti tão livre que não pude me conter, precisei voltar. Mas voltando, sendo o que eu tenho que ser, ou o que eu sempre deveria ter sido, parecendo ser assim que eu me encontro, na realidade de mim eu me afasto. Tenho tentado andar pelos quarteirões estando neles e não em outro mundo, tentando pousar, é difícil ter os pés no chão ou enxergar o grande no pequeno, o mágico no simples, mas isso é se manter são e vivo. Estou voltando e não sei pra onde e não gosto de voltar. Repudio as prisões invisíveis aos outros e para mim disfarçadas de lojas, escolas, restaurantes, calçadões...mas eu preciso delas. Não me sinto autômata e isso fez de mim uma estranha que hoje reconheço. Bisbilhoto medos alheios, catalogo a mesmice desapercebida e me choco com a falta de sentido do próprio sentido. Rotina. Maçante e necessária rotina. Tenho tentado participar dela travando uma batalha com o óbvio, me sentindo o fantoche ao menos subversivo. Um pensamento me faz suportar: Nada é mais concreto do que as lembranças. Nada é absoluto senão o sumo do dia-a-dia que os anos levam. No final das contas quem decide tudo sou eu, independente do que possuo ou não, sou eu que conto minha história.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Parto

Dói o parto,
Dói toda vez que eu parto,
E eu nem sabia que eu partia.
No próximo parto eu já esqueci
O quanto o outro doía.
E eu parto sempre...me parto...
para dentro e para fora.
A pior dor é a minha
E a do Hoje e Agora
Sádico diminuir minha dor
Comparando com a da senhora...
A que se buscar o que tem dentro
e levar embora,
avaliar o que tem fora
para filtrar para dentro.
Movimento...
Nem tudo pode invadir de fora pra dentro...
nem tudo de dentro
é aceitável fora.
O que está mais por dentro
É o parto que
Mais demora...

domingo, 19 de setembro de 2010

Boneca de Carne


Tive muitas bonecas na infância...de pano, de plástico...falantes ou mudas...vestidas e nuas...brasileiras e internacionais.
Adorava uma coleção de pequenas bonecas de borracha, com os cabelos de nylon muito bem feitos e diversificados, elas eram nuas...elas não ESTAVAM nuas, elas eram nuas...elas tinham diferença até de nuance de pele de uma para outra. Lembro que no dia 12 de outubro de 1982 (lembro perfeitamente da data por que era dia das crianças e eu tinha onze anos) por algum motivo meu pai não quis ceder ao mimo de me dar mais uma de presente, alegando eu não ser mais criança. Hoje penso: Que criança quereria bonecas nuas? Mas eu não via sensualidade nelas, ou se via, não sabia.
Eu tinha também uma coleção que era muito importante para mim, que era dos países que meu pai havia passado, em cada estação ele me comprava uma boneca.
Mas minha paixão era uma de pano, com vestido quadriculado de branco e laranja. Ela era uma boneca grávida. Quando levantava sua roupa, abaixava suas “ceroulas”, ela tinha uma barriga de pano que abria através de um velcro, e um pequenino bebê de pano, saia do seu ventre. Fiz muitos partos, amamentava, cuidava e quando terminava, guardava de novo o bebê de pano dentro da barriga.
Uma que meu avô me deu, eu guardei na caixa e nem tirei o plástico que vinha prendendo o cabelo, de tanto zelo que tinha por aquele presente.
Fofoletes...maezinhas...artesanais das mais lindas, minúsculas e imensas (uma maior que eu).
Boneca...
De carne...
Fecho os olhos AGORA, e imagino um bisturi me abrindo. Uma mão confiável tira de meu ventre, uma a uma. Os seus cabelinhos de nylon estão com sangue...as peladinhas são a únicas que já saem peladinhas. Elas não param de nascer, são dezenas...dezenas, dezenas...como cabiam todas dentro de mim?
Final: Minha barriga foi costurada. Olho pra mim e percebo que esse parto durou quase 40 anos. E eu sou agora a boneca, não de pano, de carne, com o ventre costurado e talvez vazio.
Pego o bisturi dessa mão confiável e desesperadamente e sem anestesia, reabro minha barriga para conferir: fato, não há nada além de um pequeno espelho. Eu olho para ele e ele olha para mim. Minhas próprias mãos procedem essa cesariana.
Coloquei o espelho cuidadosamente em minhas mãos para olhar melhor, e me vi por fora em cada pedaço, e repentinamente ele começou a me refletir em todos os tamanhos e idades, começou a refletir meus órgãos internos, a começar do meu coração pulsando, as artérias como rios de sangue, o pulmão respirando como uma floresta, meu sistema digestivo me irrigando e me provendo...toda minha natureza interna fluindo e saudável.
O espelho voltou a me refletir por fora, e para minha surpresa, eu estava tudo em seu devido lugar. Igual.
Resolvi então me reconstruir. Me cortei em pedaços, separando cabeça, troncos e membros. Não posso esquecer de alguns órgãos que eu não quero mais que fiquem guardados: removi meu coração...calma, ele não vai parar de pulsar, o útero e os pulmões.
Recosturei meus pés na minha cabeça. Para que eles tenham tempo de obedecer meus pensamentos sem passar por exemplo, pelo coração.
Uma das mãos, a direita, coloquei dentro da boca, ela sai quando eu falo. E quando ela sai, tem meu coração pulsando costurado.
E esquerda recosturei no lugar certo, lembrei que sou uma canhota, e ela não funcionaria em outro lugar. Ela segura o meu útero. E tudo que crio, passa a sair dele. Tudo que me ataca, ele devora e converte a filhote.
Meu pulmão coloquei em um jardim repleto de plantas selvagens e sensíveis como avencas e violetas, mas também brutas bromélias e espadas de São Jorge. Ele ali vai aprender a respirar livre e não mais estar algemado as pressões do meu coração ou meu corpo.
Trabalho feito, peguei o espelho com as mãos donas do útero. Me olhei desmembrada e singular. Letras saíam do meu coração. Meus pés me guiavam com razão. No jardim, meu pulmão livre trocava ares com as plantas. Não houve rejeição nem sangramentos. Me encaixei a peruca branca de nylon de uma das bonecas peladinhas, o vestido quadriculado da de pano, entrei em uma das caixinhas de acetato: a da boneca de Bruxelas. E a tal mão segura me colocou na minha estante branca, no meio de todas as minhas bonecas. O espelho na tampa do acetato.
Eu agora de frente para essa estante, pego essa caixinha e olho para esse espelho. Me vejo de novo inteira. Mais singular que nunca. Agradeço a essa mão que me ajudou, e peço para me deixar a disposição o bisturi, caso eu queira me reconstruir novamente.
Saio de costas andando, com a maternidade da de pano e a liberdade das internacionais e a alma de minhas bonecas nuas.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

costela


Desculpem queridos, mas me libertei! Descobri que não vim das suas costelas. Não quero carregar o pecado original, muito menos quero esperar o guerreiro voltar, tecendo um enorme tapete que não termina nunca.

Entendi que todos nós carregamos grilhões invisíveis, e cerramos os olhos todas as vezes em que um filho nasce e consentimos que esses grilhões até se multipliquem.

Entrei em um estado, em que eu compreendi que 95% do que falo, não vem de mim, vem dos meus pobres antepassados, que lutam dentro de mim para que eu possa libertá-los. E conhece-te a ti mesmo, falou claramente o nosso profeta, cujos forças foram massacradas por aqueles, que tiveram a falta de decência de ilustrar Jesus matando Hades, e libertando a todos do inferno, mostrando que sempre temos apenas 2 saídas e 2 forças opostas, duas torres a serem bombardeadas. Eu tenho, como a todos vocês, um vasto universo interior, disposto ao um novo Big Ben para separar todos os meus independentes fragmentos que foram forçadamente acorrentados uns aos outros.

Além de não ter vindo da costela, não vou permitir que Atenas me puna, e faça com que a essência dos meus olhares, transforme os homens em pedra. Tenho dentro de mim todas as guerreiras, todas as deusas da mitologia, todas as prostitutas de Pompéia, Oshóssi e Yansã, Santa Barbara e Santa Clara, Maria e Madalena, minha avó e minha mãe...todas que morreram decapitadas, degoladas ou esquartejadas. Elas estão aqui e não querem mais se calar. As que apanharam, as que se prostituiram, datilógrafas, professoras e além da Joana, vou tirar a vocês todas da minha fogueira.

A fogueira abrandada mais ainda existente... a fogueira mais competente por se fazer de invisível, não me coloco mais a disposição para o segundo plano.

Sim, eu posso estar enlouquecendo, pois na fervura das minhas idéias, expulso de mim todos os personagens ruins que me inflluenciam, tudo que me faz andar sentindo um enorme peso nas pernas. Descobri que o nosso protótipo teste, tinha asas, que foram podadas vagarosamente em cada passagem da história, a omissão deste fato, faz de mim uma réptil, uma cobra, e se isso acontecer, eu volto, e encorajo novamente a nova Eva comer a maçã, esclarecendo que está ainda dentro dela, o paraíso.

Animus




Eu acordei triste e fantasiei ser viúva,
ele compreendeu e se fez ressucitar.
Na alegria virei rainha
ele como bobo da corte
idealizou um momento palácio-lar
Chorei e ele virou minhas lágrimas
Cantei e ele só dançou
Solucei e ele foi meu lenço
Ele com raiva virou um leão...
e eu a leoa sem pestanejar
virou mendigo
e eu fui junto esmolar
virou pedra
virei ar
virou peixe
virei mar
e por aí vamos vida a fora
ele homem crescendo
eu mulher a voar




Ensaios



Norman começa a agir de acordo com o que considera ser “sua principal iniciativa”, aquelas que cessariam todos os problemas: parar de fumar maconha, e ser monogâmico.
O seu egocentrismo, e talvez ignorância, não o permitiu a contemplação de um conflito como um todo: passado, presente, futuro, culturas, complexos de dois seres.
Paro por aqui a minha explanação sobre o capítulo (Ensaios de Sobrevivência – Daryl Sharp) para falar o que eu senti. Senti que não sabemos o que é amor. Damos esse nome a uma projeção de nem sabemos o que. Não refletimos e não temos cultura interior. Somos simplistas e superficiais.
Procuramos o casamento pela nossa cultura, e nossa cultura nos faz acreditar que a função do casamento e de nos completar e nos sentirmos “inteiros”, e como ser inteiro se grande parte de nosso potencial está resguardado em uma grande caixa de ferro, cujo apenas os sonhos e as neuroses têm poder de abrir, e nesse sentido, a frustração é constante, por ser impossível a associação de dois elementos infinitamente mais complexos do que simples enzimas, o que prova, que acima de tudo e em contraponto com nosso egocentrismo, gritamos com pequenas atitudes: somos simples e banais! Na cegueira total de que todo universo exterior, é uma projeção do nosso interior. O simples exercício é amar até o que não é nossa projeção. Creio que isso só é possível, quando nos conhecemos profundamente, dissecamos nossas forças, medos, complexos e prazeres como um todo, para que nosso ego não aja como um simples espelho, que só quer refletir o que temos por dentro.
Lembro que no fim do meu primeiro casamento, um sonho me encorajou a me separar, chegando a me dar uma sensação física de liberdade, sonhei que um “Padre”, cortava uma corda que me amarrava a ele, e lembro que senti isso fisicamente, sorrindo como se estivesse voando.
Estou entendendo agora, o quanto nossas forças mentais cultuadas, nos arrastam para que sejamos seres simbióticos, e como, a pobre mente, se esforça, grita e até nos dá remédios para essa libertação.
Se o amor pode até vir a ser um problema, a cultura do conhecimento psíquico, pode ser uma libertação. Precisamos procriar. Precisamos nos unir, montar família. Como apagar toda história de vícios que nos levaram a crer que esse conjunto esdrúxulo de regras, chamado “Moral” é a única força que perpetua nossa espécie? Essa simbiose nos foi útil para manter o fogo, descobrir a roda, aquecer do frio, manter a caverna e suas atividades que eram regradas pela força física necessária (hoje inútil), evitar infecções e morte de uma fêmea grávida...hoje somos independentes. Fica a pergunta: Somos? Até que ponto? O que é ser inteiro?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O som do silêncio

Não discrimine o ócio
que um dia pode ser seu!
O que aparenta morto
ou transpira tristeza
é carcere de plebeu
que caminha pra realeza
Sem pena do homem cabisbaixo!
Não rogue pelo que ele perdeu!
No aparentemente sinistro
há corpo quieto e mente acesa
dissecando as entranhas do seu "eu"...
Silencia-te durante sua riqueza!
Fecha os olhos e ouve o silêncio!
Reflete sobre o que é realmente "seu"
Ajusta os trilhos!
Pensa no amor de sua mãe
e grite pela paz dos seus filhos!
Peça perdão!
Demonstre para a vida
toda a sua gratidão!
Transmita para os seus amigos
que cada passagem tem um som,
e sempre se encontra um abrigo
na sinfonia silenciosa da reflexão

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sexo e Limites

Os fatos são reais, talvez eu tenha acrescentado com o passar dos anos minhas próprias fantasias...Foi a primeira morte que eu tive contato em minha vida:
Ela pulou do 12° andar, tinha apenas 32 anos, deve ter sido mais ou menos em 1979,escutei a filha contar que quando chegou, o braço dela estava pendurado no balanço, o rosto teve que ser enxertado de algodão para ser colocado no caixão, a filha beijava seu rosto na hora do velório e o algodão colocado pra rechear...afundava...Ouvi: Haviam fezes para todos os lados...o intestino explode na queda....Esses detalhes, ouvi na época com 8 anos de idade.
Poucos anos mais tarde, soube que na época, seu marido a estava traindo, ela começou entrar no jogo, inventava (ou não) histórias para fazer ciúmes, ela, foi literalmente, enlouquecendo, pirando pra valer...até culminar nesse fato. Ninguém sabe até hoje se ela se matou ou foi morta, a filha me disse anos mais tarde, que o pai a trancou no quarto nesse dia, antes do acontecido.
Um pouco mais tarde soube de outras situações onde a traição fazia parte da rotina (tanto das mulheres como dos homens)...soube de histórias dos meus avós, tios, pais...nossa...rotineiro.
Não tem moral da história, não quis dizer que trair leva a morte ou à loucura, mas sim que as pessoas têm que conhecer os seus próprios limites, e os limites daqueles que nos cercam. Sou amoral em comentar que trair é uma opção.Que pode oscilar de destrutiva à terapêutica, dependendo da estrutura da pessoa, de sua educação, independência e etc...principalmente...poupem as crianças...conflitos sexuais, todo mundo tem, devemos resolvê-los da forma que a nossa civilidade restrita permitir,consciente de que é um caminho íntimo, particular...
Hoje percebo que fui sorteada, não conheço ninguém que tenha convivido com assuntos de sexo tão cedo, digo, conviver com histórias de traição, que em mim...doíam muito,dispensando os detalhes dos porquês. Algumas destas pessoas, casais, estão juntos até hoje:
Meus avós morreram um poucos anos depois do outro, lamentando o amor que não se dedicaram, dizia ela: Quero nascer de novo, para comprar uma camisola bem sensual e esperar ele todo dia de noite,...
Meu tios ainda dividem as contas, os problemas dos filhos,  e poucas alegrias.
Meus pais...juntos até hoje, sempre fizeram jogos de ciúmes (que provavelmente lhes causavam prazer), têm uma lista de problemas...mas eu nunca vi duas pessoas com mais afinidade...e hoje em dia...aos seus 60 e poucos anos, não vivem um sem o outro.
Eu, no meu primeiro casamento, o que mais passei foi por traição (aquilo que eu dizia que nunca suportaria...não precisa nem explicar por que).
Conviver com toda essa realidade desde a infância, me transformou numa moralista, e assim permaneci por muitos anos de minha vida, olhando para todos do alto do meu pedestal inalcansável. Eu tinha desejos...principalmente na fase mais precária do meu primeiro casamento, mas os massacrava em algum espaço abandonado da minha consciência, não sei bem se pra poupar a dor alheia ou para me manter no tal pedestal.E também, não tinha mais nada que classificasse o meu ex marido, como um bom companheiro, absolutamente nada, afinidade, carinho, zelo, amizade..não existia nada, sequer uma “traição terapêutica” surtiria efeito, mesmo por que, eu conheço meus limites de auto-aceitação, e trair não faz parte do meu vocabulário conjugado em primeira pessoa. O que nunca foi por exemplo o caso dos meus pais.
Traição, desejo...o que é trair? É burlar as normas, sexuais, pré-estabelecidas em uma relação. Não fui eu quem estipulei essas normas, nem meus pais, tios ou avós...Não foi o homem primordial (primitivo), também, esse não possuía, obviamente essas normas, haviam desejos, e esses desejos eram cumpridos, antes que se tornassem fantasias.
Estatisticamente falando, os homens executam com mais facilidade seus desejos do que as mulheres, e as mulheres, por nem sempre executá-los, são mais fantasiosas.
Ninguém compra uma revistinha de homem pelado pra uma adolescente, é feio...ainda nos tempos modernos, quando o desejo vem, as meninas ainda tem que “imaginar”...a imaginação não deixa rastros, não deixa provas, por isso vamos nos tornando mais sinestésicas, menos visuais.
Mulher quando trai, se justifica (falsamente, pra limpar a consciência) dizendo que não possui afeto suficiente, a meu ver, a falta de afeto, é uma desculpa, uma justificativa pra executar o desejo já pré-existente. Precisaríamos nós dessa desculpa?Tão honesto e real da parte dos homens (de certa forma) trair pura e simplesmente para cumprir seus desejos. Sensato lembrar que somos realmente animais, com pretensão de ser algo maior...por causa do nosso “presente de grego”: A razão.
Parto hoje do princípio, que desejo não realizado vira fantasia, a fantasia é uma realidade inexistente, infinitamente melhorada. Fantasiar e executar essa fantasia, é a mesma coisa que ler um livro e logo depois ver o filme desse livro (o livro é sempre muito melhor), ou seja, nada supera a fantasia.
A maioria das fantasias, só funcionam sendo fantasias, depois de executadas o desejo morre, ou por que foi cumprido, ou por que não correspondeu às expectativas...ou podem até ser destrutivas.
Outra questão: Suporto o peso da fantasia cumprida? Eu não suporto...A tal moça de 32 anos não suportou, muitas outras conviveram bem com ela, algumas até tiraram proveito, aprenderam...fizeram outros sentir dor ou não.
O casamento é uma opção social, que a meu ver, carrega 2 acordos paralelos:
1-Um acordo superficial ou oficial, que é este que a sociedade escreveu para nós, que carrega consigo os conceitos atuais de fidelidade.
2-E um íntimo: Que são as aceitações, os jogos, que os casais vão criando, conscientemente ou não, verbalmente ou não, esses são mais direcionados pelos nossos instintos do que pelo “homem social” que construíram para nós. Esse acordo é o “Perturbado”, e leva fama de desonesto, por que este é o que te impele a trair, a cumprir o desejo ou oscilar em cumpri-lo, ou criar artifícios para cumpri-lo sem culpa.
Desci do meu pedestal depois que cumpri alguns dos meus desejos...os decodifiquei, e sei hoje, manter minhas fantasias e desejos, num lugar cômodo e consciente. Me mantenho satisfeita...isso é importante...a satisfação têm que prevalecer de alguma forma, sexual e afetivamente falando.
Mas procuro compreender, aceitar, não julgar ou exigir como antigamente.
Não suporto comentar sobre “homem e mulher” de maneira simplista como num livro de auto-ajuda...patético comentar do excesso de sensibilidade feminina e dos protótipos de machismo, se não somos iguais, hoje, é por culpa nossa...se as diferenças se iniciaram por que a maternidade, primitivamente era responsabilidade feminina, hoje, tudo pode ser evitado, mas preferimos ainda criar nossos filhos de forma diferente, por que assim aprendemos...
Ensinamos eles a serem sociais, sociáveis, educados, comprometidos sexualmente...e não sabemos até hoje lidar com os nossos próprios instintos de forma amoral porém fiel. Fiel sim, as nossas origens, biologia, química...conflito...tão complexo e tão simples se pensarmos que em certa altura de nossas vidas, o que conta, são outros sentimentos e prazeres.

sábado, 14 de março de 2009

Arma ou remédio

Você reflete?
Tudo que penso é libertação:
Ignoro o trivial
E disseco a aberração
Abomino ser fruto cultural
Amo gente pelada
Que não guarda nada
Só o povo da mente safada
Vejo o cego
Grito pro surdo
Ouço o mudo
Eu podia estar gritando
Se tem defeitos é meu amigo
Podia estar me drogando
Do pouco eu não quero nada
Podia estar deprimida
O certo é propriedade do tédio
Eu podia estar chorando
Mas escrever é minha arma-remédio